Morre Dr. Erwin H. Frank, um dos maiores cientistas do Estado Roraima. Dr. Frank era alemão, doutor em Antropologia com livre Docência em Etnologia. Trabalhava com teoria antropológica, etnologia indígena, gênero, raça, Identidade Étnica, Parentesco e Etnohistória na UFRR na qual era professor a mais de uma década. Ajudou a construir e desenvolver nessa instituição o curso de Ciências Sociais, e atualmente era coordenador do NUHSA – Núcleo Histórico Sócio ambiental onde desenvolvia diversos trabalhos científicos.
Tive o privilégio de ser aluno desse homem que despertava duplamente aversão e admiração de seus colegas professores e alunos. Mas todos que conviveram ou o conhecia um pouco são obrigados a concordar que sempre foi uma pessoa dedicada como professor, cientista e ativista da causa indígena, suas pesquisas tem uma parcela importante para o desenvolvimento da antropologia na Amazônia.
Apesar de ter um vasto conhecimento acadêmico o “alemão” parecia um homem simples se vestindo de maneira incomum para um Doutor sempre com bermuda, camisas coloridas, sandálias, isso segundo ele mesmo dizia, para se adaptar ao “calor dos trópicos”, sem esquecer aquela argola dourada na orelha, o cavanhaque e a careca que às vezes se abrigava do sol embaixo de seu chapéu.
No entanto seu modo despojado de se vestir não deixava encobrir que era um professor com alto rigor científico que cobrava dedicação de seus alunos nas atividades e que não media meias palavras pra dizer o que pensava, fato que muitas vezes causou polêmica nas salas de aula. Porém no fundo sabíamos o que ele falava era verdadeiro, com o objetivo sempre de nos ensinar a sermos excelentes profissionais, que de alguma forma conseguiu.
Segue um trecho de seus famosos “manuscritos” que ora nos deixava indignados, ora nos fazia rir, por causa das pitadas de humor negro em seus textos, mas sempre conseguia transmitir alguma mensagem de seu grandioso conhecimento científico humano:
“Inicialmente umas palavras indispensáveis! Eu não tolero essa atitude de alguém dizer ‘para quer lê? Ele já vai indicar o que está escrito lá! ’ – ninguém obrigou vocês a entrar na universidade e estudar. Mas uma vez que vocês se decidiram ocupar vagas aqui, façam aquilo que esse privilégio lhe possibilita fazer: estudar, estudar, estudar – e se alguém realmente não quer que saia já, faça bico, que ganhe uma fortuna, fique bobo e feliz! Mas que pelo menos não roube a oportunidade dos outros! E se a antropologia lhes parece ‘chato’ que estude física ou odontologia! Estudar de verdade significa ler, ler e de novo ler. Talvez a sabedoria realmente não esteja nos livros, mas a idiotice é, com certeza, uma conseqüência direta da falta de leitura” (Dr.Erwin Frank - Extraído do texto da Aula de paradigmas Antropológico em 23/01/ 2003).
Adeus professor Ervin! A saudade não será maior que seu legado de conhecimento!
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