
Dagoberto Gonçalves *
Com dever de prevenir e proteger, todo policial militar advém da sociedade onde esta inserida. São de várias raças, homens e mulheres que possuem em comum o desejo e a vontade, anônima, de servir, de dedicar-se ao bem-comum e a paz pública. Um claro sinal disto pode ser verificado no número de ocorrências atendidas, 6.483 de Janeiro a dezembro de 2007. Incansavelmente esses policiais, cerca de 1500 integrantes, estão em todos os lugares, mesmo que potencialmente: na terra, em rios, igarapés, à cavalo, em viaturas, bicicletas... sendo facilmente visualizados por sua ostensividade.
Heroicamente muitos arriscam até a própria vida em razão do juramento que fizeram e de seus instintos vocacionais em prol do bem-comum. Para acioná-los basta um telefonema, um aceno, uma denúncia. Sua missão vai além do patrulhamento ostensivo ou repressivo conforme preconiza o art 144 parágrafo 5º da Constituição Federal, o qual delega sobretudo a atividade de polícia preventiva. Mas os policiais-militares não se limitam apenas a isso, são pró-ativos e multifuncionais, ministram cursos e palestras, foram mais de 10000 crianças formadas pelo PROERD até o ano de 2007, fazem partos, foram feitos alguns e orientam centenas, ainda que em muitos casos tem a dura missão de prosperar a verdade e fazer justiça por mais que magoe ou diminua o valor de alguém. Espera-se muito do policial-militar.
A sociedade em geral cobra dos policias militares uma sabedoria sobre-humana e uma força hercúlea, que repentinamente ponham em prática super poderes, até premonitórios, dignos de heróis de quadrinhos, travestidos de azul petróleo. Mas a exigência destes super atributos , muitas vezes nos faz em momentos críticos que nos levam a perguntamos o motivo que nos levou a escolher essa profissão, mas mesmo assim não deixamos nenhuma missão sem resposta . Mas enfim aqui estamos, seja na especialidade que for, fazendo o melhor e muitas vezes até o impossível. Para muitos o policial é uma pessoa indelicada, insensível que não consegue enxergar o óbvio ou sequer tem a capacidade de utilizar o mínimo de seu potencial racional, mas em contrapartida o número de policiais com nível superior aumenta significativamente a cada ano.
É-nos cobrado encontrar as melhores alternativas para os piores casos ou uma solução para o insolúvel. Muitas vezes nos assemelhamos a verdadeiros mágicos, pois em meio a um universo algumas vezes desestruturado, somos a única ou talvez a última esperança. Quando a intervenção exige energia, somos grossos. Quando é gentil, é exceção. Para alguns, heróis, para outros, vilões. Uma idiossincrasia social. Evidente que existem os bons e os maus profissionais como em qualquer profissão e na Polícia Militar não é diferente, mas para isto, punimos e cortamos na própria carne, selando a depuração do efetivo que espera-se ser o melhor e mais qualificado para exercer uma função de tamanha responsabilidade social.
Para o policial-militar, não há domingos e feriados, invariavelmente nos melhores momentos dedicados ao lazer público trabalhamos para assegurar esta diversão alheia, atribuições de nossas unidades operacionais. Segundo dados notórios é uma das profissões mais estressantes, o que pode ser comprovado cientificamente. Como Cícero, temos o legado de nunca terminarmos nossa missão, pois a cada instante alguém solicita nossos serviços e nossa atenção.
Mas de todos estes espinhos e percalços que nossa missão nos impõe, temos momentos recompensadores, quando, por exemplo, recebemos um singelo e sincero “muito obrigado” de algum cidadão. Por sermos o protagonistas dos verdadeiros direitos humanos e sermos capazes de priorizar a construção de uma cidadania traduzidas em práticas sociais e fraternas,
Enfim, neste mês de abril, mais especificamente no dia vinte e um, o país relembra o nosso patrono, TIRADENTES, momento que queremos render congratulações a esta profissão milenar e imprescindível a vida em sociedade. Reafirmando a sociedade roraimense que sempre pode contar com a briosa POLICIA MILITAR na defesa absoluta da paz e do sentimento de uma sociedade justa e fraterna pois somos todos iguais, policiais, médicos, garis, ou seja, seres humanos; O policial é apenas um cidadão que trabalha de farda. Temos emoções, capacidade de pensar e agir e sobretudo de cumprir nossa missão de Servir e Proteger.
* texto inspirado na ordem do dia da PMSP de abril de 2006.
* Coronel da PMRR, comandante do policiamento da capital 2006-2007, atualmente, diretor do DESIPE
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